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sábado, 11 de janeiro de 2014

Ariel Sharon, antigo primeiro-ministro de Israel, faleceu aos 85 anos


Nos últimos oito anos, encontrava-se em estado de coma por causa de um forte acidente vascular. Durante esses anos, ele nunca recuperou os sentidos.

Ariel Sharon foi, durante décadas, a principal figura da política israelita. Muitos habitantes de Israel consideram-no um herói nacional e até um símbolo do país. Dele diziam que não se preocupava nem com o amor dos apoiantes, nem com o ódio dos inimigos. O homem, que fez carreira de segundo cabo até general, considerou como principal objetivo da sua vida a consecução da segurança total de Israel nas suas condições, declara Boris Dolgov, cientista do Centro de Estudos Árabes do Instituto de Orientalismo da Academia das Ciências da Rússia:

“Ariel Sharon é uma figura política significativa na vida de Israel. O seu papel é ambíguo. Por um lado, trata-se do reforço do Estado de Israel e da sua segurança. Por outro lado, trata-se da participação ativa nos conflitos na região, nomeadamente no conflito israelo-palestiniano.

Ariel Sharon, cujo apelido de nascimento é Sheynernam, nasceu em 1928 na povoação judaica de Kfar Malale, numa família de oriundos da Rússia. Os seus pais eram agricultores. Ele próprio estudou agronomia.

Mas, em 1948, logo após o início da primeira guerra israelo-árabe, suspendeu os estudos e partiu para a frente de combate. Considera-se que Sharon teve muito êxito na carreira militar. Os combates por ele comandados são estudados nas academias militares de Israel, declara Evgueni Satanovsky, presidente do Instituto do Extremo Oriente:

“Sharon foi um brilhante general, um dos melhores comandantes militares do séc. XX, um homem que sabia ganhar quaisquer guerras, realizar quaisquer operações especiais”.

No início dos anos 70, Sharon abandonou a carreira militar e dedicou-se à grande política. Em 1973, foi pela primeira vez eleito para o Knesset pelo partido Likud. Nos anos 80 e 90, foi ministro da Agricultura, da Defesa, do Comércio e da Indústria, da Construção, das Infraestruturas, das Relações Exteriores de Israel. Foi ele que criou o programa de construção de aldeias hebraicas na Cisjordânia e na Faixa de Gaza.

Em 2000, Sharon visitou o Monte do Templo, lugar sagrado para judeus e árabes que se encontra na parte árabe da cidade velha de Jerusalém. Esse ato complicou significativamente as relações israelo-árabes e destruiu os planos de entrega do vale do Jordão à gestão da Autonomia Palestiniana. Segundo os peritos, Sharon calculava precisamente que semelhante situação obrigaria os israelitas a escolher um líder duro como ele.

O seu cálculo justificou-se: a 6 de fevereiro de 2001, obteve uma vitória convincente nas eleições e tornou-se primeiro-ministro de Israel. O antigo general, cujos companheiros do partido Likud lhe chamavam “bulldozer” e “falcão” pela sua intransigência, proclamou a “política de contenção” enquanto chefe do governo. Ela pressupunha a normalização gradual das relações entre a Palestina e Israel se os palestinianos renunciassem à política do terrorismo e ao desejo de supremacia na região.

Em 2005, Sharon fez uma brusca viragem no processo de regularização no Médio Oriente. O adepto de medidas de força declarou, inesperadamente, a retirada das povoações hebraicas da Faixa de Gaza e a construção de uma barreira na Cisjordânia. Esses planos fora recebidos de forma tão hostil pelos seus camaradas do partido que, em 2005, Sharon abandonou o Likud e criou um novo partido centrista Kadima (Em Frente).

A 4 de janeiro de 2006, Ariel Sharon foi hospitalizado com o diagnóstico de “forte acidente vascular”. Poucos dias depois, entrou em coma e foi ligado ao ventilador.

Em Março de 2006, o Partido Kadima venceu as eleições e, em abril, quando Sharon já se encontrava em coma há mais de três anos, foi considerado completamente incapaz. Durante todos os anos seguintes, Ariel Sharon foi sujeito a terapia intensa, a várias operações, mas acabou por não sair do coma. Em 2 de janeiro de 2014, os médicos anunciaram que no paciente de 85 anos tinha sido detetada uma aguda insuficiência renal, que o seu estado se agravara. Ariel Shaton faleceu sem recuperar os sentidos.
 
 
Voz da Rússia
DeOlhOnafigueira

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