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terça-feira, 25 de março de 2014

Putin ressuscita aliança militar entre europeus e americanos

O presidente americano, Barack Obama com a chaceler Angela Merkel, durante reunião  do G7 em Bruxelas.
Com a anexação da Criméia, Vladimir Putin mudou as regras do jogo internacional. 
 
Depois da queda do muro de Berlim, e apesar de todas as crises e aventuras guerreiras, a ideia é que o mundo caminhava para uma integração econômica global e formas de cooperação política que tornavam obsoletos os conflitos geopolíticos tradicionais. 
 
Mas agora, graças à arrogância do líder russo, o mundo está em plena marcha-ré para um novo período de enfrentamento entre blocos e potências. A viagem de Barack Obama à Europa marca o começo desta volta ao mundo antigo.
 
Nos últimos anos, o presidente americano havia cortejado a Rússia de Putin e conseguido estabelecer uma parceria relativamente bem sucedida em matéria de controle de armamentos, de ajuda logística às forças americanas no Afeganistão, de desmantelamento das armas químicas de Bachar Al Assad ou de negociações sobre o programa nuclear iraniano.

Claro, sempre havia tensões entre russos e americanos, mas nada que pudesse descambar em nova Guerra Fria. Sobretudo que a economia da Rússia está cada vez mais integrada ao sistema financeiro internacional e ao comércio com a Europa, e depende de maneira crescente das exportações de gás e petróleo aos países europeus.

Estratégia "meia-volta" de Washington

A relação com Moscou estava tão bem enquadrada que Obama pode anunciar a sua nova estratégia de “pivô” para Ásia – como se o problema da segurança europeia não fosse mais do que uma vaga lembrança do passado. E, de repente, Putin decide ameaçar diretamente e abertamente o principal fundamento da ordem mundial desde 1945: o respeito à soberania territorial dos Estados e das fronteiras.

O desafio é de tal ordem, que Obama é hoje obrigado a fazer outro pivô de volta à Europa. Se depois da Guerra Fria ninguém mais sabia para que servia a OTAN – salvo acabar com os massacres na ex-Iugoslávia e ajudar um pouquinho e com má vontade a intervenção americana no Afeganistão – hoje, europeus e americanos sabem perfeitamente que vão ter que reorganizar a Aliança a toque de caixa para enfrentar um longo período de tensão e até perigo de guerra com a Rússia.

O que aconteceu na Crimeia foi antes de tudo uma quebra violenta da confiança ocidental na previsibilidade do comportamento dos dirigentes do Kremlin. E quando a confiança vai embora o que sobra são percepções de ameaças. No dia seguinte ao voto independentista na Crimeia, os principais Estados da Europa do Leste, que estão na primeira linha frente aos russos, se reuniram para começar a coordenar suas políticas de defesa. Enquanto que os países bálticos que já são membros da OTAN, pediram que forças militares da Aliança viessem mostrar os dentes em seus territórios.

Estados Unidos: papel de guardião da segurança

Barack Obama na Europa é para mostrar que apesar de todo o atual isolacionismo da opinião pública americana, os Estados Unidos têm que mostrar que são a principal garantia da ordem mundial baseada na Carta da ONU e da segurança européia. A União Européia continua sendo um amálgama de Estados nacionais incapazes de definir uma política externa comum que não sejam inócuas declarações de intenção.

Sem falar numa política de defesa européia completamente ausente devido aos profundos cortes nas despesas militares de um continente convencido de que as ameaças de guerra eram coisas do passado. Hoje, os dirigentes europeus são obrigados a pressionar os americanos para que os defendam e mantenham a presença no Velho Continente.

É por essas e outras que Obama foi muito mais duro do que os dirigentes europeus com relação às sanções econômicas contra o governo de Putin e que está disposto a endurecer ainda mais em caso de necessidade. Sem falar nos caças americanos e AWACS de monitoramento que estão sendo estacionados nos países da Europa do Leste.

Ironia da história

Desde ontem, a Rússia também foi sumariamente expulsa do próximo G-8: a nova “guerra morna” com a Rússia está fazendo renascer o G-7 ocidental. E a Europa está começando a levar a sério a necessidade de acabar com a sua dependência das importações de gás da Rússia. E até a Alemanha, que tem imensos interesses econômicos na Rússia, também resolveu endurecer. Tudo isso significa que estamos entrando numa lógica de blocos antagônicos e esta lógica não é só militar, mas também comercial e financeira. Depois da Crimeia, as negociações de um acordo Transatlântico de Comércio e Investimento entre Europa e Estados Unidos se transformaram num dos elementos centrais desta nova aliança ocidental contra a ameaça representada pelo poder russo. A ironia da história é que a Aliança Atlântica, paralisada e sem rumo há anos, está ressuscitando graças ao perigoso "aventureirismo" de Vladimir Putin. 
 
RFI
DeOlhOnafigueira

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