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terça-feira, 27 de maio de 2014

Dia 28 de maio é o dia de Jerusalém - Yom Yerushalaim

 JERUSALÉM PERTENCE A TODOS 

A todos que praticam a fé monoteísta, sejam judeus, católicos ou muçulmanos, a cidade de Jerusalém, lembrada e cantada como sagrada, eterna, de ouro e da paz, é um dos maiores e mais antigos tesouros da religiosidade, tendo sido palco dos mais importantes eventos para estas religiões.

Para os judeus, a capital do reino de David, que conquistou Jerusalém há mais de 3000 anos, abriga as ruínas do templo do Rei Salomão, considerado o local mais sagrado do judaísmo. Segundo a tradição judaica, foi deste local que o Criador coletou o pó da terra para fazer surgir o primeiro ser humano a sua semelhança: Adão. Foi, também, onde seu filho Caim matou por inveja seu irmão Abel. O local também foi palco de uma das mais importantes passagens bíblicas que relata a lealdade do patriarca Abraão à Deus, quando levou seu filho Isaac para sacrificá-lo em louvor ao Senhor. Para os muçulmanos, a Mesquita de Omar, construída sob o espaço outrora ocupado pelo Grande Templo, representa o terceiro mais sagrado local depois de Meca e Medina. Conta a tradição muçulmana que o profeta Maomé teria subido deste local para os céus. Para a fé cristã, a Igreja do Santo Sepulcro marca o local onde Jesus foi crucificado e ressuscitou.

Na população atual da cidade encontramos uma acentuada predominância judaica com mais de 2/3 dos moradores. Ao longo de três milênios, os judeus foram o único povo a considerar esta cidade como sua capital política e espiritual. Mesmo durante os 2000 anos de exílio judaico, sempre existiram grupos de seguidores das leis mosaicas morando em Jerusalém. Para comprovar textualmente a importância de Jerusalém para os judeus, comparada com as coirmãs monoteístas, basta contar as 657 vezes em que é citada no Velho Testamento, 154 vezes no Novo Testamento e sem menção no Corão. Independentemente à notória prevalência judaica nas raízes desta sagrada cidade, cabe às três religiões o mesmo direito de livre acesso e de autoadministração de seus locais sagrados, seguindo rigorosamente os ditames de suas crenças.

É para garantir este estado de liberdade de acesso e segurança total, que o governo de Israel insiste em manter a soberania política sobre a totalidade da região. Vale lembrar que até Julho de l967, quando a Cidade Velha foi liberada do domínio jordaniano, durante a Guerra dos Seis Dias, os locais sagrados para os judeus como o Muro das Lamentações, estavam em péssimas condições de manutenção e era proibido o acesso de israelenses a estes locais. Até sanitários existiam defronte às ruínas do Grande Templo de Salomão.

Um episódio histórico serve para ilustrar, com clareza, a filosofia dos governantes de Israel com relação às outras religiões da região. Durante os ferozes combates na Velha Jerusalém, em l967, o comandante-em-chefe das tropas israelenses general Moshe Dayan, considerado o maior herói militar do Estado de Israel, ao chegar ao Muro das Lamentações com suas tropas, avistou uma bandeira com a Estrela de David tremulando no topo da Mesquita de Omar. Imediatamente chamou seu ajudante de ordens e ordenou a retirada sumária da bandeira de Israel, alegando tratar-se de um desrespeito aos muçulmanos. Esta vem sendo a postura da unanimidade dos governantes israelenses que lhe sucederam nestes anos que se passaram. Uma predominância do respeito a todas as religiões.

Todos os locais sagrados estão situados na Cidade Velha de Jerusalém que, atualmente, representa menos de 1% da área total da cidade. A proposta de dividir ou internacionalizar a cidade é, portanto, absolutamente desnecessária e inaceitável para Israel que ali mantêm sua capital há 66 anos, e que vem garantindo o livre acesso e a ordem interna.

A importância desta cidade para o povo judeu já era cantada nos Salmos que dizem: “Se eu te esquecer, Jerusalém, que minha mão direita esqueça sua perícia”. Indiscutivelmente a Cidade Velha de Jerusalém, pela sua história de fé e devoção – conta hoje com mais de 2 bilhões de seguidores em todo mundo – pertence a todos os povos amantes da paz e deve permanecer, eternamente, sob a custódia dos que sabem respeitá-la: os descendentes da religião do Rei David.

Rua Judaica
DeOlhOnafigueira

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