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sábado, 20 de setembro de 2014

Especialistas veem chances de surto de febre chikungunya no Brasil

Primeiros casos de transmissão da doença no país foram registrados no Amapá. Vírus é transmitido pelo mosquito da dengue, e sintomas das duas doenças são parecidos.
 
O período das chuvas e o aumento das temperaturas produzem o ambiente ideal para proliferação do Aedes aegypti, o mosquito transmissor da dengue. Só que, neste verão, tudo indica que ele deverá transmitir mais uma doença viral: a febre chikungunya. A propagação dessa doença por todo país é apenas uma questão de tempo, afirmam especialistas.

A febre chikungunya é originária da África, mas tem se espalhado rapidamente pela América Latina desde o final de 2013. No Brasil, o primeiro caso foi registrado em 2010, mas o paciente havia se infectado no exterior. Nesta terça-feira (16/09), porém, o Ministério da Saúde divulgou que foram registrados os dois primeiros casos de transmissão interna de febre chikungunya no país, ou seja, o vírus chegou ao território brasileiro.

"Infelizmente é ilusão pensar que há como impedir o surto e a propagação da febre chikungunya pelo Brasil. O vírus vai se espalhar, assim como a dengue, pois o transmissor da doença é o mesmo mosquito, que está presente em todo o país", afirma o virologista Jonas Schmidt-Chanasit, do Instituto Bernhard-Nocht para Medicina Tropical, localizado em Hamburgo.

Os dois casos de transmissão interna do vírus foram registrados no município de Oiapoque, no Amapá. Segundo o ministério, além desses casos, neste ano foram registrados outros 37 vindos do exterior. 
 
O epidemiologista José Cerbino, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), também considera provável uma epidemia de febre chikungunya no país. "Temos um índice de infestação de Aedes aegypti muito alto. Há anos tentamos controlar a dengue, e não estamos conseguido. Havendo a introdução do vírus, ele vai encontrar uma população sem imunidade e um número grande de vetores [mosquitos] para a transmissão", diz.

Semelhante à dengue
A febre chikungunya foi descoberta no início da década de 1950 na Tanzânia, na África. Até há pouco, a doença havia sido registrada na África e na Ásia. Os primeiros casos de transmissão interna na América Latina apareceram em dezembro de 2013. Desde então, há mais de 650 mil casos suspeitos.

A doença é causada por um vírus do gênero Alphavirus, transmitido pelos mosquitos Aedes aegypti e Aedes albopictus, hospedeiros também do vírus da dengue. Um mosquito pode carregar ambos os vírus, transmitindo assim para a pessoa picada as duas doenças ao mesmo tempo.

E não somente os vetores são os mesmos que os da dengue: os sintomas também são parecidos: febre alta, dor de cabeça, dores nos músculos, manchas vermelhas na pele, além de dores fortes nas articulações, principalmente nos pés e nas mãos.

Mas, ao contrário da dengue, a febre chikungunya não é hemorrágica. As dores intensas nas articulações, porém, podem durar meses. Em aproximadamente 30% dos casos, ela não apresenta sintomas. Após a infecção, o corpo cria anticorpos, ficando dessa maneira imune ao vírus. Casos fatais da doença são raros, mas em idosos com outras doenças crônicas ela pode contribuir como causa de morte.

O período de incubação do vírus varia de 2 a 10 dias, podendo chegar a até 12 dias. Não há vacina ou medicamentos virais para tratar a febre chikungunya. Assim, a única maneira de evitar a sua propagação é o combate ao mosquito transmissor, eliminando focos e evitando o acumulo de água parada.

O diagnóstico da doença é feito por exames laboratoriais. Atualmente apenas Instituto Evandro Chagas, no Pará, está capacitado para detectar o vírus, mas outros laboratórios estão em fase de treinamento em várias regiões do país, segundo o Ministério da Saúde.

DW
DeOlhOnafigueira

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